Displasia Coxofemural: O que É Isso?

 

A displasia coxofemoral  é uma anormalidade das articulações coxofemorais, devido às alterações ósseas nas margens do acetábulo, na cabeça e colo do fêmur, gerando uma desarmonia ou instabilidade desta articulação. Afeta todas as raças, especialmente as de grande porte e crescimento acelerado.

Esta doença hereditária, poligênica, de gene recessivo, portanto tanto o pai quanto a mãe, necessariamente, precisam ser portadores destes genes. Os fatores ambientais também influenciam a evolução desta doença, como: velocidade de crescimento, nutrição, tipo de exercícios praticados, obesidade, características do piso onde o animal costuma andar, entre outras.

Existem pesquisas sobre a etiologia desta patologia baseados nas alterações bioquímicas do líquido sinovial, devido a um desequilíbrio da concentração de cloro, sódio  e potássio. Isto irá gerar um aumento da osmolaridade, acarretando um aumento deste líquido, gerando uma sinovite e desidratação da cartilagem auricular. Depois destes acontecimentos, começam a ocorrer várias outras alterações, como: aumento da pressão intra articular, aumento da tensão sobre os tecidos e estruturas moles que mantêm a articulação, afrouxamento destes tecidos, perda do contato articular, arrasamento da cavidade acetabular, subluxação, edema, ruptura do ligamento redondo, pequenas fraturas acetabulares e artrose acetabular.

Geralmente, ocorre entre os 4 meses ao primeiro ano de vida do animal e os sinais clínicos apresentados são: dificuldade para realizar movimentos, como caminhar, correr, levantar, pode haver uma maior dificuldade em pisos lisos, apresentam claudicação de um ou dos dois membros posteriores, passando a depositar o peso do corpo nos membros anteriores, reduzem a amplitude das passadas, ficam relutantes à realização de exercícios, mas o sinal clínico mais fácil de ser notado é a modificação no modo de sentar do animal, que passa a realizá-lo de lado. A displasia provoca uma dor constante.

Para a realização de um diagnóstico seguro, é necessário realizar um exame de raio-x que é realizado com o animal em decúbito dorsal e com as patas traseiras esticadas para trás. Esta posição pode ser muito incomoda para o animal, aumentando a dor, devido a este motivo pode ser necessário a aplicação de anestesia geral.

Após o resultado do exame radiográfico, o médico veterinário irá avaliar este exame e definir em qual categoria o animal se encontra. Estas categorias são definidas da seguinte maneira:

Existem diversas categorias de displasia coxofemural, de acordo com a gravidade. Abaixo temos um quadro com estas categorias:

Classificação da Displasia Coxofemoral

Classificação
Grau Descrição Reprodução
HD A Sem sinais de displasia coxofemoral Apto à reprodução
HD B Articulações coxofemorais próximas do normal Apto à reprodução
HD C Displasia coxofemoral de grau leve Ainda permitido
HD D Displasia coxofemoral de grau moderado Não apto à reprodução
HD E Displasia coxofemoral de grau severo Não apto à reprodução

 

O Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária (CBRV) emite laudos de displasia coxofemural. Para se conseguir um laudo é preciso ter em mãos:

Normas do Colégio Brasileiro de Radiologia Vetererinária

Os exames radiográficos deverão ser encaminhados ao CBRV pelos proprietários dos cães ou veterinários, para a avaliação das articulações coxofemorais e emissão do Laudo Oficial, quanto à presença ou não de displasia.
Junto ao exame radiográfico deverão ser enviados os seguintes documentos:
- Cópia autenticada do “Pedigree” do animal,
- Termo de responsabilidade do proprietário,
- Termo de responsabilidade do médico veterinário responsável pelo exame radiográfico,
- Taxa referente às despesas da avaliação, no valor de R$ 40,00 (Quarenta Reais)

O procedimento radiográfico deverá ser realizado conforme as normas do CBRV para a avaliação das articulações coxofemorais em relação à Displasia coxofemoral envolve os seguintes quesitos:

1. Idade: A avaliação das condições articulares será realizada "DEFINITIVAMENTE COM 24 MESES COMPLETOS". Esta condição poderá ser precedida de avaliações preliminares das articulações coxofemorais, que fornecerão dados precoces de normalidade ou não das mesmas, cujo exame poderá ser realizado em torno e a partir de doze meses de idade.

2. Contenção: Com a finalidade de assegurar a qualidade técnica desejável, é obrigatória a contenção do paciente mediante a utilização de associações farmacológicas, capazes de determinar perfeito relaxamento do animal, para se obter o posicionamento correto e livre de reações por parte do cão.

3. Posicionamento: O animal deverá se mantido em decúbito dorsal, com os membros pélvicos em extensão, paralelos entre si e em relação à coluna vertebral, tomando-se o cuidado de manter as articulações fêmoro-tíbio-patelares rotacionadas medialmente, de tal forma que as patelas se sobreponham aos sulcos trocleares. Deve-se ainda ter o cuidado para que a pelve fique em posição horizontal. Uma segunda radiografia poderá também ser utilizada com os membros pélvicos flexionados.

4. Identificação do filme: Na identificação permanente do filme, deverá constar o nome e o número de registro do animal, número de identificação do mesmo pela tatuagem ou microchip, espécie, raça, data de nascimento, data do exame radiográfico, identificação da articulação coxofemoral direita ou esquerda e o local onde o exame for realizado.

5. Tamanho do filme: O filme radiográfico deverá ser suficiente para incluir toda a pelve e as articulações fêmoro-tíbio-patelares do paciente.

6. Qualidade da radiografia: Serão analisadas as radiografias cujo padrão de qualidade ofereça condições de visibilização da microtrabeculação óssea da cabeça e colo femorais e, ainda, definição precisa das margens da articulação coxofemoral, especialmente da borda acetabular dorsal.

7. Laudo: A comissão, ao receber a radiografia, avaliará sua qualidade para o diagnóstico, ficando a seu cargo a possibilidade de devolução ao médico veterinário que a realizou, caso não obedeça aos padrões técnicos desejados. Para a emissão do laudo definitivo, cada radiografia será examinada por uma comissão constituída por três médicos veterinários radiologistas membros do CBRV. O proprietário terá direito, mediante o pagamento dos respectivos custos, de recorrer a um segundo e último diagnóstico, submetido ao júri da displasia coxofemoral do Comitê Cientifico da Federação Cinológica Internacional.

8. Serão consideradas as seguintes categorias: As articulações coxofemorais serão avaliadas individualmente e classificadas segundo a pior avaliação e não a média entre as duas articulações coxofemorais em:

Grau A – Articulações coxofemorais normais (HD–):
A cabeça femoral e o acetábulo são congruentes. A borda crânio-lateral apresenta-se pontiaguda e ligeiramente arredondada. O espaço articular é estreito e regular. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 105º (como referência). Em articulações coxofemorais excelentes, a borda crânio-lateral circunda a cabeça femoral pouco mais na direção látero-caudal.

Grau B – Articulações coxofemorais próximas da normalidade (HD+/-)
A cabeça femoral e o acetábulo são ligeiramente incongruentes e o ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 105º ou o centro da cabeça femoral se apresenta medialmente à borda acetabular dorsal e a cabeça femoral e o acetábulo são congruentes.

Grau C – Displasia coxofemoral leve(HD+):
A cabeça femoral e o acetábulo são incongruentes. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 100º ou há um ligeiro achatamento da borda acetabular crânio-lateral, ou ambos. Poderão estar presentes irregularidades ou apenas pequenos sinais de alterações osteoartrósicas da margem acetabular cranial, caudal ou dorsal ou na cabeça e colo femoral.

Grau D – Displasia coxofemoral moderada (HD+ +):
A incongruência entre a cabeça femoral e o acetábulo é evidente, com sinais de subluxação. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 95º como referência. Presença de achatamento da borda crânio-lateral ou sinais osteoartrósicos, ou ambas.

Grau E – Displasia coxofemoral grave (HD+ + +):
Há evidentes alterações displásicas da articulação coxofemoral, com sinais de luxação ou distinta subluxação. O ângulo de Norberg é menor que 90º. Há evidente achatamento da borda acetabular cranial, deformação da cabeça femoral (formato de cogumelo, achatamento) ou outros sinais de osteoartrose.

Para se obter uma chapa exploratória com o  laudo,  este exame deve ser feito no animal apartir de 12 meses de idade. Nas raças gigantes, como o Dogue Alemão,São Bernardo, Mastiff, Mastin Napolitano e Cane Corso, este exame deve ser feito com 18 meses. A chapa definitiva deve ser feita quando o cão completar 24 meses. Nestes animais em que a tendência à displasia é grande podemos realizar exames preliminares a partir dos 7 meses de idade, para que o veterinário possa controlar a doença, impedindo que o cão sinta muita dor.

Quando a fêmea tem displasia, as chances do filhote ter são grandes, podemos tomar alguns cuidados, para que o quadro não se agrave:

  • Não deixar o filhote em pisos escorregadios;
  • Colocar a fêmea e os filhotes num piso mais áspero, ou em placas de madeira, para que eles não escorreguem.
  • Exercitar o filhote a partir dos três meses de idade, mas sem exageros. A natação é recomendada, pois exercita a musculatura sem forçar a articulação.
  • Evitar que o animal fique muito gordo.

O importante é ter consciência e cuidar dos animais desde pequenos para prevenir problemas como esse. Um animal saudável, que visita o veterinário regularmente, está mais sujeito a ter uma vida longa e sem problemas. Na hora de comprar um filhote, principalmente das raças mais sujeitas, peça ao proprietário que apresente o certificado de displasia dos pais, para garantir que seu filhote não tenha este problema. E caso você já tenha um cão em casa, procure seu veterinário para realizar este exame tão simples e evitar que a doença se espalhe.

Não existe cura para a displasia coxofemoral, mas existem alguns tratamentos, como:

  • Fisioterapia: que ajuda a fortalecer a musculatura, aumentando assim, a sustentação do quadril. Os exercícios mais indicados são a natação e caminhada na areia;
  • Tratamento alopático: uso de drogas a base de vitaminas e aminoácidos para melhorar a área que foi afetada. Pode também ser usados antiinflamatórios para diminuir a dor;
  • Tratamento homeopático: é receitado não para a displasia, mas sim para os seus sintomas;
  • Cirurgia: é baseada na retirada da cabeça do fêmur (cefalectomia), acabando com o atrito e com as dores.

Existem algumas recomendações para evitar o agravamento da doença, como: evitar a obesidade do animal, não oferecer comida à vontade para o filhote, pois isso acelera o crescimento, exercícios moderados a partir dos 3 meses de idade apenas, não deixar o animal em pisos escorregadios, proporcionando um ambiente favorável à ele.